Bacia do principal rio curitibano vai servir como base para testar soluções ambientais e avaliar novo modelo de gestão integrada
O Rio Barigui, que atravessa Curitiba, sofre com ocupações irregulares e com os esgotos (Foto: Marcelo Elias/GP)
O primeiro Fórum Águas do Amanhã, que aconteceu em agosto, em Curitiba, e reuniu representantes do poder público para discutir uma agenda comum em prol da bacia do Alto Iguaçu, está dando seus primeiros frutos. A partir de uma ideia surgida durante o encontro, técnicos e autoridades ligadas ao governo decidiram criar um grupo permanente de trabalho para testar ações concretas na despoluição de rios da região metropolitana.
Com o apoio do projeto encabeçado pela Rede Paranaense de Comunicação, esse pool de especialistas elegeu a bacia do Rio Barigui – que integra a bacia do Alto Iguaçu – para servir como “laboratório”, tanto para testar possíveis soluções ambientais como também para avaliar o desempenho de uma inédita gestão integrada entre as entidades.
A opção pela recuperação do principal rio curitibano se deve ao fato de ele já contar com um orçamento de R$ 70 milhões liberado pela Agencia Francesa de Desenvolvimento para o projeto Viva Barigui, iniciado em 2007 pela prefeitura de Curitiba. “O objetivo é recuperar totalmente a bacia, com metas de médio e longo prazo, envolvendo toda a comunidade. É nossa grande oportunidade de abraçar esse projeto como uma referência para toda a bacia do Alto Iguaçu”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto.
Relevância
Dentre os rios que cortam a capital paranaense, o Barigui se destaca. Além de cruzar a cidade de norte a sul – ele nasce em Almirante Tamandaré e deságua no Iguaçu, na divisa de Curitiba com Araucária –, o Barigui banha dois grandes parques municipais e sua bacia ocupa um terço do território curitibano, além de alcançar um terço da população da cidade. “Esse grupo vai estudar o que cada órgão pode fazer para que tenhamos uma aceleração da recuperação dessa bacia”, complementa Andreguetto.
Para o coordenador técnico do Águas do Amanhã, Eduardo Gobbi, a iniciativa vem ao encontro dos objetivos do projeto, que mobilizar os diversos setores da sociedade para objetivos em comum, a começar pelo poder público. “A parte mais difícil é fazer com que cada indivíduo e instituição deixem de lado a visão individual e setorial em nome de ações que, se executadas de forma coletiva e colaborativa, possam ajudar na solução dos problemas. Precisamos continuar avançando de forma que aqueles temas fundamentais para a coletividade estejam acima dos interesses imediatos dos agentes políticos. Sabemos que não é fácil, mas não temos outra alternativa”, conclui.
.
Reuniões acontecem a cada 15 dias
A expectativa é de que os encontros do grupo gestor aconteçam quinzenalmente – a próxima reunião será em 15 de setembro. Entre as entidades que participam do projeto estão as prefeituras de Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais, Sanepar, Comec, Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Instituto das Águas, entre outros. “A importância de ser um projeto piloto é que ele vai servir como base para aprimoramento das demais ações. Em bacias urbanas, mais impactadas, é importante que se trabalhe em conjunto”, analisa o secretário estadual de Meio Ambiente, Jorge Callado.
Estabelecer ações dentro de um planejamento integrado e conferir o andamento dessas ações vão ser as prioridades do comitê, segundo Callado. Para ele, o projeto é uma resposta à sociedade, que cobra atitudes concretas do poder público.
Nenhum comentário:
Postar um comentário