Decisão de 1984 estabelece que os cargos de direção só podem ser ocupados por servidores efetivos. Mas escolhidos são comissionados ligados ao presidente da Assembleia
Em meio à onda de medidas tomadas nos últimos dias para moralizar a Assembleia Legislativa do Paraná, a Mesa Executiva nomeou de maneira irregular todos os novos diretores da Casa. Ao contrário do que determina o Decreto Legislativo 52/1984, que exige a nomeação de servidores de carreira para os cargos de direção, nenhum dos diretores empossados pertence ao quadro de funcionários efetivos do Legislativo estadual. Por meio da assessoria, o comando da Casa afirmou que “está agindo estritamente dentro da legalidade”. Para isso, um projeto apresentado pela Mesa – e que deve ser aprovado em definitivo na próxima semana – prevê a revogação da exigência de que apenas efetivos podem ocupar postos de direção.
De acordo com o Decreto Legislativo 52, de 27 de março de 1984, os cargos de diretores só podem ser exercidos por servidores concursados e com mais de 15 anos de experiência em serviço público. No entanto, os novos diretores empossados pela Mesa Executiva são comissionados e foram escolhidos para os postos por serem próximos ao presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), e ao primeiro-secretário, Plauto Miró (DEM).
Rossoni, por exemplo, nomeou como diretor financeiro Sérgio Brun, seu assessor parlamentar desde 2004. Para a diretoria administrativa, o escolhido foi Altair Carlos Daru, funcionário da Assembleia desde 1991 e considerado o braço direito do parlamentar tucano. Já Plauto indicou o contador Cléber Cavalli como diretor de apoio técnico e o advogado Bruno Garofani como diretor de pessoal. O novo diretor-geral, Benoni Manfrin, também não pertence ao quadro de servidores de carreira do Legislativo paranaense.
Sob a presidência de Nelson Justus (DEM) em 2010, por exemplo, Eron Abboud foi nomeado diretor-geral mesmo sendo comissionado, uma vez que, segundo a Casa, não havia “no quadro de funcionários alguém que se enquadre no perfil desejado para o cargo e que ao mesmo tempo preencha os requisitos exigidos pelo decreto”.Para regularizar a nomeação dos novos diretores, a Mesa Executiva apresentou no início desta semana um projeto que revoga a exigência prevista no Decreto 52/84. O texto da proposta fala em adequação do decreto às novas regras de nomeação de comissionados na Casa, em vigor desde maio do ano passado. A justificativa é que a Assembleia “já vinha adotando a prática de nomear os cargos de direção com funcionários comissionados”.
Chama a atenção na proposta da Mesa Executiva o fato de o tema estar incluído no projeto que trata da criação do Gabinete Militar da Presidência da Casa, que vai substituir o antigo setor de segurança, cujos cerca de 50 funcionários foram exonerados pelo novo comando do Legislativo. Ao longo desta semana, a matéria foi aprovada em duas discussões e terá de passar por mais duas na semana que vem.
Para o deputado Tadeu Veneri (PT), a Mesa tem todo o direito de revogar o decreto em questão. O petista, no entanto, questiona a razão de inserir o assunto em meio a uma proposta que trata de um tema totalmente diverso. “O decreto pode perfeitamente ser revogado. Nada é imutável ou intocável. Mas isso deveria ser feito em uma lei específica sobre o tema”, critica.
Veneri destaca ainda que ao longo de vários anos tentou, sem sucesso, encontrar o Decreto 52/84 na Assembleia. “Vamos revogar algo sobre o que não sabemos o teor exato. Esse decreto, que foi visto por pouquíssimas pessoas até hoje, pode tratar de outros assuntos além da nomeação de diretores”, alerta. O petista anunciou que apresentará um requerimento cobrando explicações da Mesa sobre o caso na próxima segunda-feira.
“Meu limite é a lei”, justificou Rossoni, ressaltando que a medida faz parte de uma “completa reordenação administrativa e uma renovação estrutural” da Assembleia. Entre os argumentos para justificar a medida, a Mesa afirmou que o Decreto 52 “era antigo e não guardava simetria com o texto constitucional”. Pela proposta, a Mesa Executiva deverá apresentar um projeto de reestruturação da estrutura administrativa da Casa em até oito meses.
A lei existe e requer a regulamentação proposta por Rossoni
ResponderExcluirInclusive ela preve que é necessária regulamentação, se observar no artigo 4º fala que o diretor pode ser comissionado.
Prudente Rossoni apresenta a regulentação.
http://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/listarAtosAno.do?action=exibir&codAto=8267&codTipoAto=&tipoVisualizacao=compilado