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quarta-feira, 20 de abril de 2011

O DNA é Tucano: Contra despejo, comunidades ocupam Secretaria de Habitação de SP para forçar negociação


São Paulo - Na manhã desta quarta-feira (20), cerca de 300 pessoas se aglomeraram na rua São Bento, centro de São Paulo, exigindo uma reunião com membros da Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo. Membros da manifestação invadiram o prédio da CDHU e o ocuparam até que fossem abertas vias de negociação, a polícia foi mobilizada, mas não houve violência. Os manifestantes seguiram para a Central da Habitação, esperando pelo encontro dos comitês com a secretaria. A ação das comissões da comunidade se deu após insucesso em uma reunião prévia com as subprefeituras das locais.
Organizados pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), membros das comunidades do Jardim Arizona, Jd. Pantanal (zona leste), Jd. Bananal, Jd. Irene e Boulevard da Paz, a maioria na zona sul da cidade, próximos à estrada de M. Boi Mirim. Os moradores protestam contra ações de despejo e reintegração de posse não notificadas pela prefeitura, além de recorrentes atos de truculência da polícia civil metropolitana que, segundo eles, tem quebrado barracos e casas enquanto seus donos estão trabalhando.
Virginia Oliveira de Jesus, da comitê da comunidade do Jardim Arizona, explicou que desde abril do ano passado há recorrentes ações de despejo sem aviso prévio, pegando moradores desprevinidos. Ela estava na primeira tentativa de negociação, com 13 membros das comissões locais. "A prefeitura falou que nós éramos bandidos", contou, disse que os acusaram de viverem em propriedades privadas, sem informar quem está movendo as ações de despejo. "O meu pedaço estava comprado, eu paguei por ele, não importa quem deixou o lugar abandonado", afirmou. A região do Jardim Arizona tem sido habitada há quase 20 anos, de acordo com os moradores, e possui quase 7 mil famílias - 1500 delas podem perder suas casa.
Além de se manifestarem contra despejos, as comunidades exigem da prefeitura projetos imediatos para a urbanização dos locais, garantidas do cumprimento das medidas de saneamento básico e transparência quanto a possíveis realocações e auxílios de aluguel e moradia, nesses casos. Guilherme Boulos, do MTST, coordenou uma breve assembleia entre os manifestantes, esclarecendo que o objetivo ali não era de ocupar os prédios da Secretaria de Habitação, ou da Cohab. "Nosso objetivo é suspender todas as ações de despejo nas regiões", declarou. De acordou com ele, moradores tem recebido cheques de 5 mil reais para deixarem suas casas, valor que "não dá nem para o trabalhador montar um barraco em área de risco".

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