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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vulneração e Mídia no Cotidiano das Deficiências


O INFOATIVO.DEFNET  convida os amigos e amigas leitores e difusores do BLOG para o novo texto:
 
"Assim como o conceito de deficiência é construído e contextualizado, as vulnerabilidades também têm gênese social como um discurso em construção e em questionamento pelos bioeticistas, como faz Macklin, ao indagar: ”O que torna indivíduos, grupos e até países inteiros vulneráveis? E por que a vulnerabilidade constitui uma preocupação da bioética?”. Essas duas perguntas, segundo a autora, devem ser afirmadas e respondidas pela existência de que diante do poder e da exploração de sujeitos vulneráveis, temos de ter uma postura ética. Uma postura de cunho bioético e de proteção.
 Essas posturas e questões têm grande amplitude, indo desde a ética clinica, da ética em pesquisas que envolvem seres humanos, e, em especial, na ética em políticas públicas. No campo político, ou melhor, dos biopoderes, ao avaliarmos a condição de pessoas vulneradas, com sua possível posição de exploração, podemos incluir as pessoas com deficiência, que, historicamente, estiveram em situação de vulneração e exclusão pelos estigmas a que foram submetidos".
Esses dois parágrafos acima fazem parte de um artigo que publiquei na Revista Saúde e Direitos Humanos, Ano 6, nº 6, 2009. O tempo passou e cada dia mais me convenço das minhas proposições de cunho bioético para o campo das deficiências. Me sinto reforçado na indagação de Mackin quando  assisto na TV a concepção que vem sendo midiatizada sobre os que são chamados de ''portadores'' de deficiências. Creio que a última atitude bizarra nos foi apresentada por um programa de Comédia onde se ridicularizava, de forma grotesta e proposital, a condição de pessoas com Autismo. A chamada Casa dos Autistas, em seu processo de reprodução dos estigmas, conseguiu gerar indignação, repúdio e ações que incluiram atitudes do Ministério Público e de parlamentares na Câmara Federal.
LEIAM O TEXTO NA ÍNTEGRA EM:
 
Senhores e Senhoras, Respeitável Público: - agora no meio do palco, no meio do picadeiro, fora das jaulas, dentro do coração e das mentes de nossos telespectadores, novos atores com suas cegueiras, bizarrices, paralisias cerebrais, deficits, transtornos, distúrbios, surdez e incapacidades de toda ordem. As telinhas, ou melhor, todas as telas irão se encher de panorâmicos seres humanos que nos espelharão, nos confrontarão e nos obrigará a buscar outras maneiras de os respeitar, re-conhecer e amar. Em cena, os Autistas, que não cabem, por sua pluralidade, nessa mísera casa dos comediantes da MTV, irão nos levar a outras sensibilidades, outras máquinas desejantes, outros devires, outras formas de afetar e sermos afetados, a desejada criação de novas cartografias para o viver e Vida. Para além de todas as vulnerações e suas perpetuações.
 
 
Um dos motivos desse texto:
 
Abaixo-assinado Contra o Programa da MTV Casa dos Autistas
 
Indicações de sensibilização e educação pelo Cinema:
 
O HOMEM ELEFANTE - filme de David Lynch - 1980 - http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Homem_Elefante
 
Wretches & Jabberers - Documentário de Gerardine  Wurzburg - 2011 - http://pt.euronews.net/2011/04/18/a-voz-dos-autistas-wretches-jabberers/
 
TEMPLE GRANDIN - filme da HBO - 2010 -  http://www.soshollywood.com.br/temple-grandin/
 
Referências no Texto:
VULNERABILIDADE E VULNERAÇÃO, QUANDO AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA SÃO QUESTÕES DE DIREITOS HUMANOS? - Jorge Márcio Pereira de Andrade - Revista Saúde e Direitos Humanos - Ministério da Saúde - Fundação Oswaldo Cruz - Brasília, DF, 2010 (Ano 6, nº 6, 2009)
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