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terça-feira, 24 de maio de 2011

Pistoleiros cortaram orelha de extrativista assassinado no PA


O Ministério Público Federal enviou ofício para a Polícia Federal pedindo que acompanhe as investigações sobre o assassinato dos extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua mulher, Maria do Espírito Santo da Silva.
O casal foi alvo de uma emboscada na manhã desta terça-feira (24), dentro do Assentamento Extrativista Praialta-Piranheira, no município de Nova Ipixuna, sudeste do Pará.
- Requisito imediata apuração de todas as circunstâncias do assassinato, ressaltando que a Polícia Civil e Secretária de Segurança Pública do Estado do Pará já foram acionados, tendo sido encaminhadas as providências preliminares, o que, por óbvio, não dispensa, dadas as razões ora referidas, a pronta atuação da Polícia Federal do local dos fatos - diz o procurador da República Tiago Rabelo, no ofício enviado à PF.
De acordo com informações iniciais do advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Marabá, José Batista, que chegou ao local pouco depois do crime, o casal de líderes extrativistas saiu de casa em uma moto. Cerca de 10 quilômetros depois, diminuiu a velocidade para atravessar uma ponte em péssimo estado. Eles foram atacados por dois pistoleiros que estavam de tocaia na cabeceira da ponte.
Só a perícia vai informar quantos tiros os dois extrativistas receberam, mas o advogado da CPT relatou ao MPF no Pará que foram muitos. Um detalhe confere ao crime contornos típicos da pistolagem: de acordo com a CPT, o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva teve a orelha cortada pelos assassinos.
Os corpos foram levados para Marabá, onde devem ser enterrados na quarta-feira (24). José Cláudio tinha 52 anos e a mulher dele, 51. Familiares informaram que o casal tinha um filho adotivo, de 15 anos.
O casal havia informado ao MPF em Marabá nomes de madeireiros de Jacundá e Nova Ipixuna que faziam pressão sobre os assentados e invadiam suas terras para retirar madeira ilegalmente.
O MPF encaminhou as denúncias à Polícia Federal e ao Ibama e já havia um inquérito aberto investigando várias madeireiras da região.
O Ibama já tinha feito vistorias, detectado a extração ilegal de madeira e até feito interdição de serrarias. A pressão para retirada e venda ilegal de madeira é muito grande sobre assentamentos em todo o sudeste do Pará, por causa da demanda por carvão para a siderurgia.

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