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terça-feira, 31 de maio de 2011

Trinta e cinco anos depois, "desfavelização" de Curitiba não saiu do papel

Albari Rosa/Gazeta do Povo / Moradores da Vila Torres em protesto na Câmara, em 2008: décadas de espera.
Há exatos 35 anos, em 31 de maio de 1976, a Câmara de Curitiba aprovou um "Plano de Desfavelamento" para a cidade. A ideia era que a prefeitura construísse casas para as famílias que moravam nas favelas e as removesse em seguida, acabando com as favelas da cidade.
O fato foi registrado nesta terça-feira no site da Câmara, numa simpática (e muito interessante) seção dedicada a mostrar  eventos que ocorreram na cidade na mesma data, em anos anteriores.
Na época, em 1976, poderia parecer possível. Havia apenas duas grandes favelas em Curitiba: a do Capanema (atual Vila Torres) e a do Parolin.
Mas, como se sabe, os prefeitos desde então não apenas não conseguiram acabar com as favelas que havia como viram surgir dezenas de novas aglomerações do gênero.
O que aconteceu?
Em 1976, o prefeito da cidade era Saul Raiz. Desde lá, passaram pelo posto Jaime Lerner (pela segunda vez), Maurício Fruet, Roberto Requião, Jaime Lerner (pela terceira vez), Rafael Greca, Cassio Taniguchi (por dois mandatos), Beto Richa (por um mandato e meio) e agora Luciano Ducci.
Não se trata de culpá-los, exatamente. Mas de pensar que políticos dos mais variados tipos e ideologias passaram pela prefeitura de uma das cidades mais ricas do país sem nunca ver diminuir o problema significativamente. Pelo contrário: como regra, a favelização aumentou mandato após mandato.
Recentemente, em parceria com o governo federal, algumas coisas foram feitas, especialmente no Parolin. Mas não há dúvida de que muito há por fazer ainda.
Caso contrário, daqui a 35 anos, estará no site da Câmara a informação de que, sete décadas antes, foi aprovado um plano que nunca, nunca mesmo, foi levado a cabo pelas autoridades curitibanas.

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