Justiça russa determinou condenação por ódio religioso e vandalismo
Agência Efe via Opera Mundi
As três integrantes da banda punk Pussy Riot durante seu julgamento em Moscou, as artistas foram condenadas pela Justiça
As três integrantes da banda punk Pussy Riot foram condenadas pela justiça russa nesta sexta-feira (17/08) por vandalismo motivo por ódio religioso, informou a agência russa Interfax. “As cantoras conspiraram em circunstancias não estabelecidas, com o propósito de violar ofensivamente paz pública, em um sinal de desrespeito com os cidadãos”, disse a corte em seu veredito.
O tribunal, localizado em Moscou, está cercado por dezenas de manifestantes que gritam “Liberdade para a Pussy Riot!” em meio a uma extensa tropa policial, informam jornais internacionais. Segundo a agência russa Interfax, Sergei Udalstov, importante representante de esquerda no país, foi preso ao tentar passar pelo cordão policial que impede os transeuntes de entrarem no tribunal.
Reprodução/Twitter
Manifestantes protestam contra prisão das integrantes da banda punk Pussy Riots nesta sexta-feira (17/08) em frente ao tribunal
A luta das ativistas atravessou os oceanos e os protestos pedindo por sua liberdade percorreram cidades de todo o mundo, chegando a mobilizar até mesmo diversos artistas que se apresentaram na Rússia. Sting, Red Hot Chili Peppers e Madonna pediram em suas apresentações pela libertação das integrantes da banda punk. Iiro Rantala, um proeminente músico finlandês de jazz, cancelou sua apresentação na capital russa em protesto à prisão das mulheres assim como o artista plástico britânico, Stuart Semple, decidiu não disponibilizar suas obras para o Festival de Artes de Moscou.
“Nós estamos pedindo às autoridades russas para tirar suas queixas de vandalismo e soltar imediatamente Maria, Ekaterina e Nadezhda”, disse Kate Allen, o diretor da Amnestia Internacional do Reino Unido.
Histórico
Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich estão enfrentando o tribunal por terem protestado contra o presidente russo no altar da maior igreja ortodoxa do país em fevereiro desse ano.
A Promotoria russa exigiu uma pena de três anos de prisão para as integrantes da banda, argumentando que representam uma ameaça para a sociedade pela possibilidade de realizarem outros protestos no país.
Os promotores e advogados de acusação sustentam que a apresentação da banda em uma Igreja Ortodoxa não constituiu uma ação política, mas sim de ódio religioso. Prova disso, afirmam eles, é que nenhum político foi citado na canção de nome “Virgem Maria, expulse Putin”. “Elas debocharam e humilharam as pessoas na Igreja”, disse o promotor Alexei Nikiforov. “Usar palavrões numa igreja é um abuso contra Deus”, completou ele.
Apesar de pedirem desculpas aos cristãos que se sentiram ofendidos com a performance, as acusadas se recusaram a admitir sua culpa por considerarem que o protesto não configura um crime segundo as leis da Rússia. As artistas mantiveram sua posição mesmo com a possibilidade de firmar uma negociação com o promotor e diminuir sua pena. “Nós nos recusamos a assumir culpa”, disse Nadezhda.
“O tema principal da nossa apresentação não é a Igreja Ortodoxa, mas sim a ilegitimidade das eleições”, afirmou Yekaterina segundo o diário britânico The Daily Mail. "As chamadas (pelo Patriarca) para votar em Putin e para não ir aos comícios de protesto são claras violações dos princípios de um estado laico”, continuou ela.
A defesa das Pussy Riot procurou argumentar que o ato foi um protesto político e que por isso, as artistas não podem ser condenadas por ódio religioso. Os advogados da banda acusaram a justiça de agir com parcialidade, sendo favorável a acusação e afirmaram que o processo se trata de uma repressão política do regime de Putin. “Estou considerando isso como o início de uma campanha autoritária e repressiva do governo que procura dificultar a atividade política e criar um sentimento de medo entre os ativistas políticos”, acrescentou Yekaterina.
Enquanto todas as testemunhas de acusação foram autorizadas pela juíza Marina Syrova, apenas 3 das 13 testemunhas nomeadas pela defesa puderam ser interrogadas no julgamento. Syrova também foi responsável por permitir uma série de perguntas da acusação às testemunhas, mas vetou que a defesa realizasse as mesmas questões.
A justiça russa já recusou diversos pedidos judiciais da defesa, incluindo uma apelação para enviar o processo de volta à Promotoria já que não existem provas suficientes. Os advogados de defesa da Pussy Riot impetraram pedido no tribunal para chamar o representante da instituição religiosa a testemunhar no processo que foi negado, informou a rede Interfax.
“Mesmo nos tempos soviéticos, nos tempo de Stalin, os julgamentos eram mais honestos do que esse”, afirmou o advogado de defesa Nikolai Polozov perante o tribunal.
muito bom!!!! Vou divulgar seu blog no meu espaço. Abs!!!!
ResponderExcluirClaudio Tibérius
Valeu Tibérius! Um abraço!
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