Da favela curitibana ao condomínio fechado
na Gazeta do Povo
O que todos esses personagens têm em comum? Seus caminhos são entrelaçados e seus destinos alterados pela narrativa ágil de Curitiba Zero Grau, segundo longa-metragem do cineasta paranaense Eloi Pires Ferreira (de O Sal da Terra), que chega neste fim de semana a oito salas de exibição da capital.
Há vários méritos no filme de Ferreira O mais evidente é o eficiente roteiro, escrito em parceria com Erico Beduschi e Altenir Silva. Revela-se engenhosa a forma como as histórias dos quatro protagonistas se entrecruzam, sem que esse recurso pareça forçado e inverossímil.
Outra qualidade é a capacidade do filme de falar dos muitos contrastes sociais da cidade sem recorrer a clichês ou a representações simplificadoras.
O empresário da primeira história, vivido pelo ótimo Edson Rocha, pode até ser rico e ter cometido um deslize ético. Mas também é capaz de atos sinceros de generosidade e de perceber o mundo ao seu redor. O catador de papel (Lori Santos), embora esteja a um passo da marginalidade, valoriza a educação dos filhos e não se comporta como vítima da sociedade. Tampouco o motoboy, um jovem à procura de um caminho, muito bem interpretado pelo talentoso Diegho Kozievitch (de Castelo Rá-Tim-Bum), que escapa dos estereótipos e ganha complexidade à medida que sua rota um tanto desgovernada se desenha dentro da narrativa.
Jackson Antunes, conhecido por suas participações em novelas da Rede Globo, se sai bastante bem como o motorista do ônibus às voltas com uma família de lavradores recém-chegada de Santa Catarina, à procura de um parente perdido na cidade.
Retrato complexo de uma metrópole brasileira, as tramas de Curitiba Zero Grau poderiam se passar em qualquer grande cidade. Ao mesmo tempo, oferece sotaques, paisagens e situações dramáticas que o tornam interessante para os curitibanos, que tão pouco se veem na tela grande. Merece ser assistido.
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