Ativista incentiva diminuição do número de parceiros sexuais.
Crédito: Lucas Bonanno
A poucos quilómetros das principais cidades que receberão os jogos de futebol da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, está o Reino da Suazilândia, um dos menores países do continente africano e uma das poucas monarquias absolutas do planeta.A "terra dos Suazis" ganha também alguma notoriedade internacional quando o Rei Mswati III promove uma festa para a escolha de uma no va esposa. Hoje, aos 41 anos, ele tem 14 mulheres.
O repórter Lucas Bonanno visitou aquele reinado africano e nos conta em duas reportagens especiais um pouco sobre alguns factores que contribuem para que o país tenha a mais alta prevalência de HIV no Mundo: 26,1%, segundo as Nações Unidas.Os 10 ºC em Junho e Julho, as boas estradas e as ruas limpas da capital da Suazilândia, Mbabane, destoam das altas temperaturas e das precárias condições estruturais de grande parte dos países africanos.Entretanto, ao sair da capital, com destino ao interior do país, onde vive cerca de 70% da população, a pobreza se torna bem mais evidente. As casas são feitas de barro com suporte de madeira e a alimentação, muitas vezes, são apenas papas de milho.
Independente dos ingleses em 1968, a Suazilândia ainda tem um grande controle económico de estrangeiros, sobretudo dos europeus, que comandam as grandes plantações de cana-de-açúcar, o principal cultivo de exportação.E para agravar ainda mais a situação económica, o país tem a mais alta incidência de SIDA no mundo.
Com uma população de 1,2 milhão de pessoas, a Suazilândia tem 26,1%o dos adultos vivendo com HIV e SIDA, segundo estimativas das Nações Unidas. No Brasil, esta prevalência é de 0,6%.A Primeira Pesquisa Demográfica da Saúde da Suazilândia, feita em 2007, revelou que a maior parte da população sabe sobre a existência da Sida, mas metade admite ter múltiplos parceiros sexuais e manter relações sem camisinha.O maior líder da nação, o Rei Mswati III, é o principal exemplo da cultural polígama do país. Todo ano ele promove uma grande festa oficial, onde centenas de virgens, seminuas, se exibem através de danças tradicionais e se oferecem para ser mais uma das suas esposas. Hoje, aos 41 anos, Mswati III tem 14 esposas.
"Recentemente realizamos uma campanha de testagem para o HIV e quando pedíamos para os homens trazerem as suas esposas para fazerem o teste também, eles nos perguntaram 'Qual das nossas esposas?'", conta o Chefe da Missão da organização Médicos Sem Fronteiras-Suiça na Suazilândia, Aymeric Péguillan.Uma pesquisa liderada pelo nativista Hanni Dlamini e apoiada pelo Conselho Nacional de Emergência contra o HIV e SIDA, órgão governamental, apontou que os suazis não usam preservativos porque acreditam que este método preventivo tenha sido criado para destruir a virilidade africana e que o gel na camisinha diminui o tamanho e a duração da erecção, além de o preservativo provocar reacções alérgicas.
"Os adultos já não estão mais lá"
Há um ano e meio na Suazilândia, Péguillan, que é francês, disse que ficou chocado quando chegou ao país e começou a perceber o impacto da Sida.
"É comum vermos numa casa, três ou quatro crianças, cinco adolescentes e alguns velhos. Os adultos já não estão mais lá. Morreram de sida", disse. "E essa falta de adultos limita a mão de obra. Essas crianças passam fome porque não têm pais para trabalhar", acrescentou.
Um relatório do Fundo Monetário Internacional, divulgado no começo deste ano, revelou que um quarto da mão-de-obra da Suazilândia está ausente do trabalho por causa da Sida e que a doença custou ao país 1,3 por cento do seu produto interno bruto. "Num período de 30 dias, pelo menos 25% dos trabalhadores entrevistados durante o estudo não foram trabalhar," informou a pesquisa.
Além da Sida, o país sofre também de uma grande epidemia de tuberculose (TB), que segundo a Organização Mundial da Saúde, atinge um de cada 80 suazis.As baixas temperaturas nesta época do ano contribuem ainda mais para a transmissão desta doença, já que muitas pessoas ficam confinadas num mesmo espaço fechado e acabam por transmitir o bacilo uma à outra através da tosse e do espirro."Não conseguiremos enfrentar a TB, sem combater a sida e vice-versa. São doenças que andam juntas, por isso o objectivo da nossa organização é criar um programa conjunto de tratamento e prevenção das duas doenças", disse o chefe da Missão da Médicos Sem Fronteiras.Cerca de 80% das pessoas com HIV têm também a doença causada pelo bacilo de koch na Suazilândia.
Crédito: Lucas Bonanno
A poucos quilómetros das principais cidades que receberão os jogos de futebol da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, está o Reino da Suazilândia, um dos menores países do continente africano e uma das poucas monarquias absolutas do planeta.A "terra dos Suazis" ganha também alguma notoriedade internacional quando o Rei Mswati III promove uma festa para a escolha de uma no va esposa. Hoje, aos 41 anos, ele tem 14 mulheres.
O repórter Lucas Bonanno visitou aquele reinado africano e nos conta em duas reportagens especiais um pouco sobre alguns factores que contribuem para que o país tenha a mais alta prevalência de HIV no Mundo: 26,1%, segundo as Nações Unidas.Os 10 ºC em Junho e Julho, as boas estradas e as ruas limpas da capital da Suazilândia, Mbabane, destoam das altas temperaturas e das precárias condições estruturais de grande parte dos países africanos.Entretanto, ao sair da capital, com destino ao interior do país, onde vive cerca de 70% da população, a pobreza se torna bem mais evidente. As casas são feitas de barro com suporte de madeira e a alimentação, muitas vezes, são apenas papas de milho.
Independente dos ingleses em 1968, a Suazilândia ainda tem um grande controle económico de estrangeiros, sobretudo dos europeus, que comandam as grandes plantações de cana-de-açúcar, o principal cultivo de exportação.E para agravar ainda mais a situação económica, o país tem a mais alta incidência de SIDA no mundo.
Com uma população de 1,2 milhão de pessoas, a Suazilândia tem 26,1%o dos adultos vivendo com HIV e SIDA, segundo estimativas das Nações Unidas. No Brasil, esta prevalência é de 0,6%.A Primeira Pesquisa Demográfica da Saúde da Suazilândia, feita em 2007, revelou que a maior parte da população sabe sobre a existência da Sida, mas metade admite ter múltiplos parceiros sexuais e manter relações sem camisinha.O maior líder da nação, o Rei Mswati III, é o principal exemplo da cultural polígama do país. Todo ano ele promove uma grande festa oficial, onde centenas de virgens, seminuas, se exibem através de danças tradicionais e se oferecem para ser mais uma das suas esposas. Hoje, aos 41 anos, Mswati III tem 14 esposas.
"Recentemente realizamos uma campanha de testagem para o HIV e quando pedíamos para os homens trazerem as suas esposas para fazerem o teste também, eles nos perguntaram 'Qual das nossas esposas?'", conta o Chefe da Missão da organização Médicos Sem Fronteiras-Suiça na Suazilândia, Aymeric Péguillan.Uma pesquisa liderada pelo nativista Hanni Dlamini e apoiada pelo Conselho Nacional de Emergência contra o HIV e SIDA, órgão governamental, apontou que os suazis não usam preservativos porque acreditam que este método preventivo tenha sido criado para destruir a virilidade africana e que o gel na camisinha diminui o tamanho e a duração da erecção, além de o preservativo provocar reacções alérgicas.
"Os adultos já não estão mais lá"
Há um ano e meio na Suazilândia, Péguillan, que é francês, disse que ficou chocado quando chegou ao país e começou a perceber o impacto da Sida.
"É comum vermos numa casa, três ou quatro crianças, cinco adolescentes e alguns velhos. Os adultos já não estão mais lá. Morreram de sida", disse. "E essa falta de adultos limita a mão de obra. Essas crianças passam fome porque não têm pais para trabalhar", acrescentou.
Um relatório do Fundo Monetário Internacional, divulgado no começo deste ano, revelou que um quarto da mão-de-obra da Suazilândia está ausente do trabalho por causa da Sida e que a doença custou ao país 1,3 por cento do seu produto interno bruto. "Num período de 30 dias, pelo menos 25% dos trabalhadores entrevistados durante o estudo não foram trabalhar," informou a pesquisa.
Além da Sida, o país sofre também de uma grande epidemia de tuberculose (TB), que segundo a Organização Mundial da Saúde, atinge um de cada 80 suazis.As baixas temperaturas nesta época do ano contribuem ainda mais para a transmissão desta doença, já que muitas pessoas ficam confinadas num mesmo espaço fechado e acabam por transmitir o bacilo uma à outra através da tosse e do espirro."Não conseguiremos enfrentar a TB, sem combater a sida e vice-versa. São doenças que andam juntas, por isso o objectivo da nossa organização é criar um programa conjunto de tratamento e prevenção das duas doenças", disse o chefe da Missão da Médicos Sem Fronteiras.Cerca de 80% das pessoas com HIV têm também a doença causada pelo bacilo de koch na Suazilândia.
Lucas Bonanno, de Mbabane
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