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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Colloridos desbotados

Há alguns dias, o ex-presidente Collor voltou às manchetes dos jornais ao arregalar os olhos e ameaçar de indigestão verborrágica o colega de Senado Pedro Simon.

Hoje Collor é uma figura quase alegórica, parece uma estátua de museu de cera ambulante. Quem se lembra de sua empáfia quando ocupou a presidência custa a acreditar que hoje seja um reles serviçal de Lula no Senado.

Aliás, ele defende Lula dizendo que também foi vítima de injustiça quando era presidente.

Que injustiça fizeram com Collor?

Filmaram a cascata cinematográfica que ele construiu em casa?

Rastrearam o esquema de laranjas de seu amigo PC Farias?

Se isso é injustiça...

Mas o curioso é que hoje não encontro ninguém que confesse ter votado no Collor para presidente em 1989. Não sei como ele teve mais de 20 milhões de votos no primeiro turno, porque seus eleitores simplesmente evaporaram.

Acho que as pessoas que entraram na moda e "coloriram" morrem de vergonha de seu passado eleitoral.

O pior é que quem tinha um mínimo de informação na época sabia de quem se tratava. Foi amplamente noticiado pela Folha de S. Paulo durante a campanha que Collor favorecia os usineiros de Alagoas quando governava o estado.

Mas a turma teleguiada pela TV-jornal biscoito de praia e pela revista que pensa que o leitor é cego achava que Collor era a imagem da modernidade. Só faltavam cantar "lindo, tesão, bonito e gostosão" em seus comícios...

Ele era o príncipe encantado em oposição ao sapo barbudo que nos lembrava com sua figura de que somos terceiro mundo.

Mas, depois que ele chegou ao poder e foi pego com a boca na botija, a massa do biscoito simplesmente apagou de sua biografia o voto no Caçador de Marajás...

_ Votei no Covas _ costumam dizer hoje os colloridos desbotados de vergonha.

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