La Jornada
De Veneza, Itália reproduzido no Brasil de Fato
“South of the Border”, de Oliver Stone, se aproxima à figura do presidente da Venezuela. Por sua vez, Michael Moore denuncia o capitalismo "malvado" desumano no documentário “Capitalismo: uma história de Amor”, que retrata os rostos desesperados das vítimas da recente hecatombe financeira, que perderam suas casas ou o trabalho de uma vida, apresentado no concurso com outros 24 títulos.
"Nos Estados Unidos a cada sete segundos e meio uma família é desalojada de sua casa; e 14 mil perdem seu emprego ao dia”, contou o cineasta em um bate-papo com o público, organizado à véspera da projeção da fita.
"O capitalismo é injusto", ressaltou o irreverente documentarista, que há 20 anos denuncia os grandes males de seu país, começando com Roger e Eu, sobre o fechamento da General Motors, empresa em que trabalhou seu pai por mais de 30 anos, passando pela guerra contra Iraque e o sistema de saúde estadunidense.
Para o autor de Massacre em Columbine e Fahrenheit 9/11, "o capitalismo é mau e não pode se reformar” e o “livre mercado”, na realidade, é um sistema para “roubar” aos trabalhadores. O documentário, de mais de duas horas, que estreia nos Estados Unidos no próximo 2 de outubro, acusa os poderosos bancos de Wall Street (Goldman Sachs, Citibank, Morgan) de haver organizado um verdadeiro "golpe de Estado financeiro" pouco antes das eleições presidenciais estadunidenses.
Segundo o filme, os poderosos banqueiros, muitos deles membros da administração do ex-presidente George W. Bush, inventaram o mecanismo para ficar com os 700 milhões de dólares que o Estado aprovou para os salvar da crise econômica, enquanto isso a classe média perde suas propriedades e garantias.
Nesta ocasião o realizador, que se considera um defensor da esquerda, lança a teoria, sempre na boca de seus entrevistados, de que a crise foi uma conspiração para que as grandes companhias estadunidenses fizessem caixa antes da chegada do atual inquilino da Casa Branca, Barack Obama.
O orgulhoso realizador assegurou em Veneza que lhe agravou ver como com a crise econômica gente lutadora e que trabalhou duro vê sua vida arruinada pelos interesses das grandes companhias.
Otimista, Moore crê que as pessoas podem se rebelar de forma boa. Essa mudança, em sua opinião, começou no úlitimo 4 de novembro com a eleição de Obama. “Mas um homem somente não pode fazê-lo todo. As pessoas que votoram nele tem que lhe ajudar.
“A democracia não é um esporte de espectadores”, há que participar, incitou o cineasta, cujo documentário é o único no concurso na sessão oficial.
"É necessário um controle maior do mundo das finanças e do capitalismo”, pede Moore em sua fita; para eles “a única coisa importante é estar no poder”, disse.
O sistema legalizou o calote
Com seu estilo implacável e sua cara de bonachão, Moore revela, por meio de irônicas lições, um sistema econômico que legalizou o calote e permitiu que as empresas ganhem milionárias somas com os seguros de vida que estipulam secretamente no caso de morte de seus empregados mais jovens, sem cobrir os familiares.
A prudência parece ser a posição, em mudança, sobre o novo presidente democrata Barack Obama.
De outro lado, o documentário de Stone (que tem fitas de não ficção sobre Fidel Castro: Buscando a Fidel e Comandante) mostra a Chávez, que recebe as cálidas saudações das pessoas e a oposição fica reduzida a uma grupo de oligarcas que querem impedir o repartição da riqueza entre o povo. Com a ajuda do historiador Tariq Ali, Stone roda uma aproximação esquemática ao mandatário com uma série de conversações entre este e o realizador.
Com a finalidade de conhecer melhor o que ocorre em Venezuela, o diretor de filmes como “Assassinos por natureza” ou “Platoon” se translada a outros países do continente, cujos mandatários se mostram encantados de receber o laureado realizador.
Assim ocorre com a presidente de Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, ou com o do Paraguai, Fernando Lugo, ou o da Bolívia, Evo Morales, que assegura ante a câmera que seu “pior inimigo” é a imprensa.
O ex-presidente argentino Néstor Kirchner conta que propôs ao ex-presidente estadunidense George W. Bush um Plano Marshall para América Latina e este lhe replicou que isso era uma ideia idiota dos democratas.
Stone resume, de forma básica, as mudanças políticas na região ao conversar também com presidente Rafael Correa, do Equador, e com Luiz Inácio Lula da Silva, de Brasil, que opina que a força da esquerda na América Latina se deve ao fortalecimento da democracia.
Tradução: Eduardo Sales
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