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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Qual o futuro do SUS?

no Correio da Saúde (do CAOP-Saúde do MP-PR)
recebi por email



Para celebrar os 30 anos de Sistema Único de Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) lançou o "Relatório 30 anos de SUS. Que SUS para 2030?".

No estudo, a organização reuniu e documentou as principais conquistas do SUS, apresentou os cenários e desafios vindouros e pontuou recomendações para os atuais e futuros gestores da saúde, para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas no Brasil (17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável):

Recomendações:

A saga continua: A inaceitável promiscuidade de interesses na Saúde.

CONFLITO DE INTERESSES

no Outra Saúde (por email)

Está sob investigação no TCU uma compra no valor de R$ 220 milhões feita pelo Ministério da Saúde.

Rodrigo Silvestre era servidor do laboratório paranaense Tecpar até que, em 2016, foi cedido à Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério. Lá, participou do processo de contratação do Tecpar para distribuir um medicamento contra o câncer para o SUS, que acabou saindo por um valor muito maior do que o de mercado. E agora ele voltou à Tecpar - promovido a diretor industrial. 

Silvestre disse ao Estadão que não houve conflito de interesses e que não é o primeiro funcionário de laboratório público a atuar no ministério e depois retornar para o posto de origem.


Comentário: A coisa aconteceu durante a gestão do Ricardo "já vai tarde" Barros, ministro com tremendo apetite, digo, interesse, nestas questões envolvendo laboratórios (em especial o Tecpar), biotecnologia, hemoderivados e otras cositas más.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

#MaisMedicos - Ideologia acima de tudo – a desinformação que faz mal à saúde

Rogério da Veiga* no Congresso em Foco

Uma das maiores preocupações do brasileiro é a saúde[1], sendo a escassez de médicos e sua má distribuição no território nacional um dos gargalos conhecidos para a melhoria da saúde pública no Brasil, para além do subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Estudos à época do lançamento do Programa Mais Médicos apontavam que, em 2013, havia 1,8 médicos por mil habitantes. O Brasil assumiu como meta elevar esse número para 2,7 médicos/mil habitantes, o que demandaria mais 168.424 novos médicos no país. Uma meta que seria buscada por meio da ampliação/democratização de vagas na formação de médicos no país e atração de profissionais formados em outros países.

Em 2013, entravam no mercado de médicos no Brasil 17.334 profissionais e saíam 10.169 (morte ou aposentadoria), dando um incremento líquido de 7.165 médicos. Para piorar a situação, esses 1,8 médicos/mil habitantes no Brasil estavam mal distribuídos: 701 municípios no país não tinham um médico sequer; enquanto no Rio de Janeiro havia 3,44 médicos/mil habitantes, o Maranhão possuía 0,58 médicos/mil habitantes.

O Golpe fez mal à saúde dos brasileiros

Em sua coluna semanal no Nocaute, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha comenta os efeitos dos cortes de gastos em políticas sociais desde o golpe de 2016. Um trabalho apresentado em revista internacional de psiquiatria mostrou o aumento do suicídio nas regiões onde houve corte do Bolsa Família.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

IMPLANTES FEREM (E ÀS VEZES MATAM) PACIENTES AO REDOR DO MUNDO


Uma investigação global do ICIJ revela os custos da falta de testes e controles em uma indústria que afeta a vida de bilhões de pessoas
na revista Piauí


*Esta reportagem faz parte do Implant Files, projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ, com sede em Washington, DC. O Implant Files reúne 252 profissionais de 59 veículos de 36 países, que investigaram dezenas de fabricantes e distribuidoras de dispositivos médicos em todo o mundo. No Brasil, participam da apuração a revista piauí e a Agência Pública. Contribuíram para esta reportagem Ben Hallman, Jet Schouten, Dean Starkman, Simon Bowers, Emilia Díaz-Struck, Gerard Ryle, Sasha Chavkin, Spencer Woodman, Cat Ferguson, Petra Blum, Scilla Alecci, Sydney P. Freedberg, Fergus Shiel, Richard H. P. Sia, Tom Stites, Martha M. Hamilton, Joe Hillhouse, Rigoberto Carvajal, Cécile Schilis-Gallego, Hilary Fung, Marina Walker Guevara, Miguel Fiandor, Pierre Romera, Hamish Boland-Rudder, Will Fitzgibbon, Delphine Reuter, Amy Wilson-Chapman, Margot Williams, Pauliina Siniauer, Razzan Nakhlawi, Jesse McLean, Matthew Perrone, Holbrook Mohr, Mitch Weiss, Charles Backcock, Andrew Lehren e Emily Siegel.

Tradução feita por Mariana Simões e Carolina Zanatta.



De Amsterdã a Seul, de Lima a Mumbai e até na pequena cidade americana de Hiawassee, no estado da Geórgia, implantes médicos fazem adoecer, mutilam e às vezes até matam as pessoas para as quais foram projetados para ajudar.

Uma investigação de um ano feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) descobriu que autoridades do campo da saúde ao redor do mundo têm fracassado em proteger milhões de pacientes sujeitos a próteses que, testadas de forma inadequada, podem perfurar órgãos, dar choques no coração, apodrecer os ossos e envenenar a corrente sanguínea, ejetar uma overdose de opióides e causar outros danos desnecessários.

Os governos têm padrões de testes até para implantes complexos que são muito menos rígidos do que a maioria dos remédios novos. Aparelhos defeituosos ficam no mercado enquanto o número de feridos cresce.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

'Vou pegar um país destroçado por causa das gestões do PT', diz Bolsonaro, o mitômano. Vamos ajudá-lo a demonstrar

Seguem dados dos destroços:

1. Produto Interno Bruto:2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões
2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil
3. Dívida líquida do setor público:
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB
4. Lucro do BNDES:
2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões
5. Lucro do Banco do Brasil:2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões
6. Lucro da Caixa Econômica Federal:2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões
7. Produção de veículos:

Mandetta e os povos indígenas: o futuro é incerto


no Outra Saúde (via e-mail)

MAIS UMA DO FUTURO MINISTRO

Ontem mesmo falamos aqui sobre o futuro incerto de povos indígenas e como sua saúde deve ficar ainda mais fragilizada. Isso porque o novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, faz parte da bancada ruralista, que tradicionalmente se opõe aos direitos dessas populações. Pois o pessoal do Diário do Centro do Mundo resgatou uma lembrança importante: Mandetta participou presencialmente de um conflito entre fazendeiros contra índios Guarani Kaiowá  da reserva Marangatu, em 2015, quando morreu um indígena, Simão Vilhalva.

Essa reserva é reconhecida pela Funai, mas espera demarcação na Justiça desde 1999. Há três anos, 40 indígenas anunciaram que ocupariam a sede da fazenda da presidente do Sindicato Rural do município de Antonio João, Roseli Ruiz. Em uma reunião no Sindicato, Roseli disse a cerca de 60 fazendeiros que os Guarani-Kaiowá queriam invadir a cidade e atear foto nas residências. Mandetta estava lá; a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Vidas em Jogo - artigo Alexandre Padilha*

reproduzido na página da Maria Fro no Facebook (publicado originalmente na FSP - só para assinantes)

Senhor presidente eleito Jair Bolsonaro, a eleição acabou. Reconhecemos e desejamos sorte ao seu governo. Ele impactará a vida de todos, sobretudo dos que mais sofrem, concordem ou não com suas crenças.

O senhor, quando deputado, votou contra o Mais Médicos e o questionou no STF; logo, todos estavam ansiosos sobre o que iria fazer. Eleito, nenhuma proposta formal foi apresentada. Ao contrário, manteve o discurso de deputado, como na tribuna no dia 8 de agosto de 2013, quando desqualificou a formação dos médicos e criticou o direito de eles trazerem as famílias, pela lei do Mais Médicos.

Desde então, o programa foi aprovado pelo Congresso Nacional, pelo STF, pelo TCU, pela OMS e, posteriormente, pelo governo Temer, que o senhor ajudou a assumir e sustentar.

Carta aberta da SBMFC ao Governo federal, senadores e deputados federais, em exercício e eleitos, extensiva a sociedade civil – Apresentação da proposta “Mais Médicos residentes em Medicina de Família e Comunidade”


Diante da notícia recente do fim do acordo de cooperação internacional entre Cuba e Brasil para provimento emergencial de médicos no Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) e do risco de desassistência de uma parcela significativa da população, a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) vem tornar pública sua avaliação e propostas de superação à situação.

A Estratégia de Saúde da Família (ESF) tem um papel fundamental para o Sistema Único de Saúde (SUS). São inúmeras as evidências de seu impacto positivo para a saúde da população em diferentes áreas, da redução da mortalidade infantil em série histórica à diminuição de internações por condições sensíveis à Atenção Primária à Saúde (APS). Entretanto, desde sua origem na década de 1990, convive com o problema de provimento e fixação de profissionais de saúde, em especial o profissional médico. Esse problema se agrava quando se relaciona à distribuição dos profissionais as diferentes regiões pois em areas periféricas, mais carentes e remotas sempre foram as mais afetados pelo problema: por exemplo, enquanto nas capitais existem 5,07 médicos por mil habitantes, no interior a razão corresponde a 1,28 médicos por mil habitantes, inferior a relação mínima recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Merval levou uma lacrada federal. #MaisMedicos

"Merval,

Trabalho há 45 anos na área de saúde pública tendo trabalhado na Secretaria de Saúde de Minas Gerais e na Fundação Oswaldo Cruz.

Posso lhe afirmar que conheço bem os sistemas de saúde em praticamente todos os estados no Brasil em centenas de municípios da Amazônia ao Rio Grande do Sul.

Em sua coluna "uma crise política" você foi extremamente infeliz pois citou dados e informações que são totalmente inverídicas que passo a citar agora.

Atualmente em cerca de 2.800 municípios não existem médicos porque os que se formam no Brasil se recusam a trabalhar em localidades pequenas onde não existe a possibilidade de terem clínicas privadas. Na região Amazônica e no Nordeste chegaram a receber salário dobrado e casa para morar e ali não se fixaram.

Os médicos formados em Cuba são treinados para a atenção médica integral no modelo de saúde da família em que o profissional, clinico geral, exerce sua atividade obedecendo à lógica de saúde integral de prevenção, promoção e intervenção. Nos Estados Unidos existe o "family doctor" que trabalha nessa lógica e é o médico que quando necessário encaminha seus pacientes aos especialistas. Esse é o modelo preconizado no SUS, que não se aplica bem no Brasil uma vez que aqui os médicos são formados na lógica da especialidade e da intervenção e nunca da promoção e da prevenção. 

Se você comparar os índices de saúde, preconizados pela Organização Mundial da Saúde, pode verificar que os números de Cuba estão nos níveis da Europa e de outros países avançados e no Brasil os resultados são absolutamente lamentáveis pois não prevenimos nem promovemos a saúde. Esperamos as pessoas adoecerem e entrarem nas filas de atendimento, onde por vezes morrem, o que infelizmente assistimos diariamente nos telejornais do Brasil.

Se você tiver a curiosidade de verificar os indicadores de saúde dos municípios onde esse médicos vem trabalhando poderá constatar a melhoria significativa nos níveis de saúde daquelas populações.

Se você não sabe, a Organização Pan Americana de Saúde que é a gestora do convênio Brasil Cuba é uma instituição extremamente séria e jamais aceitaria colocar médicos "em trabalho escravo" ou médicos sem formação adequada em um de seus programas. Seria bom que você procurasse essa instituição antes de afirmar, aos seus leitores mais esclarecidos as mentiras do seu texto.

Lamento que você, um membro da ABL, que para mim tinha alguma credibilidade, se preste a escrever um texto totalmente sem fundamento, com conclusões erradas. Sugiro que em suas próximas colunas, sobre temas que você não tem o conhecimento básico, procure se informar melhor e escute especialistas da área e não, como neste caso um ortopedista e médico do esporte, de um hospital de emergência da Zona Sul do Rio de Janeiro." 

Eduardo Vieira Martins
DSC FIOCRUZ

sábado, 17 de novembro de 2018

CFM avisa: não topamos o que ofereceram aos cubanos


por Gilberto Maringoni no portal GGN

O Conselho Federal de Medicina, entidade que ataca com baixeza os médicos cubanos desde 2013, lançou nota sobre o tema em seu portal.

Num tom desinteressado-esperto, a entidade começa afirmando que:

"O Brasil conta com médicos formados no País em número suficiente para atender às demandas da população".

Então tá. Mas, quando se pensa que os discípulos de Esculápio se oferecerão de forma cívica e desassombrada para cumprirem a sagrada missão de salvar vidas nos confins do Brasil - aquele que está "acima de tudo" - eis que as exigências aparecem:

"Cabe ao Governo – nos diferentes níveis de gestão – oferecer aos médicos brasileiros condições adequadas para atender a população, ou seja, infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves;

Para estimular a fixação dos médicos brasileiros em áreas distantes e de difícil provimento, o Governo deve prever a criação de uma carreira de Estado para o médico, com a obrigação dos gestores de oferecerem o suporte para sua atuação, assim como remuneração adequada".

Leiam novamente: "Infraestrutura de trabalho, apoio de equipe multidisciplinar, acesso a exames e a uma rede de referência para encaminhamento de casos mais graves" e "a criação de uma carreira de Estado para o médico".

Em português claro, os brasileiros avisam que não irão tratar de pobre, ainda mais longe de casa, tão cedo. Nem mortas topamos o que vocês ofereceram à mulambada!

Diante da emenda de teto de gastos em vigor e com a tara de Paulo Guedes por cortes, a agência de lobby dos médicos acaba de lavar as mãos sobre a saúde de milhões de brasileiros.

Com desinfetante.

Há médicos em número suficiente no Brasil e irão suprir a saída dos médicos cubanos? Felipe Proenço* responde

Agora é ver esse novo edital do Mais Médicos e ver quantos brasileiros irão para as áreas mais pobres do Brasil, que agora tem 2,0 médico a cada mil hab, mas parou com a criação de cursos de medicina no interior


*Médico de Família e Comunidade. Doutor em Saúde Coletiva e Professor da UFPB. ex-Coordenador do Mais Médicos.